sexta-feira, 18 de março de 2011

Tua neta, Maria, rosa

Há nesta frase duas palavras que oferecem dificuldade especial. São elas neta e rosa.Não, caro leitor, não significam, como pode parecer neta e rosa.
Salvo melhor opinião, trata-se, no 1º caso, da utilização de um adjectivo substantivado, derivado do verbo neo que toma, no particípio passado, a forma netum que significa entrelaçado - fiado. Quanto a rosa não se trata do substantivo da 1ª declinação de tema em a, mas do particípio passado do verbo rodo, que,  no particípio passado se enuncia rosus - a - um e forma no acusativo do plural rosa, concordando com neta.
Quanto âs restantes palavras não precisam de explicação tão evidentes são, quer Maria, quer tua.
Acentuo que Maria é um vocativo. Chegados aqui, vamos à tradução. Será: Ó Maria Rosa a tua neta ou a tua neta ó Maria Rosa. Não, não é.Será sim: " Ó Maria os teus entrelaçados ( vestidos ) estão rotos ( rasgados ).
Mas não vamos deixar a Maria de fato roto na praça pública e vamos procurar um pensamento que a anime e... nada melhor do que convidá-la a mudar o vestido e aproveitar a Primavera que está a chegar, para ir dar um passeio até ao jardim, olhar as flores que vão abrir e tudo vai ficar revestido de verdura e flores, transformando tudo em beleza e onde Maria seja mais uma flor.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ave, ave aves esse aves!

Volto às minhas curiosidades latinas tentando esclarecer esta repetição de palavras iguais ou semelhantes e apresentar a sua tradução na língua de Camões.
Assim:
Ave é o imperativo do verbo latino aveo-ere usado na saudação de quem chegava, equivalente às nossas expressões - Bom dia, Salve-o Deus e opõe-se à palavra vale que é a saudação usada por quem se retirava.
Já a repetida palavra ave da frase acima é o caso vocativo da palavra avus que significa avô.
Ave, ave, dois significados diferentes significando: Bom dia ( Salve ) avô.
Na segunda parte da frase há, também, duas palavras iguais na grafia, mas de tipo gramatical diferente. No 1º caso aves trata-se da 2ª pessoa do singular do verbo avere, no presente do indicativo e significa - desejas - , quanto à 2ª palavra aves é o acusativo do plural do substantivo avis que significa aves. Resta-nos a palavra esse que é uma forma do infinito do verbo edere que usa duas formas no infinito presente edere ou esse e que significa comer.
Chegamos assim à tradução da frase que será: " Bom dia "( Salve ), avô desejas comer aves?
Usando uma forma mais adequada ao carinho de um neto/a pelo avô - diremos : Bom dia, meu avô desejas ( queres ) comer aves?

P.S. O trabalho está feito, não se enfade, caro leitor, eu vou continuar a brincar com curiosidades de frases latinas.
Não resisto à tentação de deixar um pensamento que me é muito benéfico e que é um ditado sábio:
" O sucesso consiste em fazer coisas, o fracasso em não fazer nada ."
É com base neste ditado que vou ocupando o meu tempo e... como gosto de escrever...

segunda-feira, 14 de março de 2011

'Mater tua mala burra est'

Na última conversa que tive convosco dizia que os provérbios, ditados e adágios são o mais perfeito retrato da língua.
Hoje escolhi para conversa uma curiosa frase latina, muito conhecida e que pode levar quem não conheça a língua de Virgílio a ficar enjoado e até zangado. Refiro-me à frase que intitula esta conversa: 'mater tua mala burra est'.
Não é que agora chama burra má à minha mãe? Descanse, amigo leitor, não é nada disso. O verdadeiro significado da referida frase é até um elogio aos hábitos alimentares da 'tua mãe'.
Seria fastidioso demorar-te na análise a cada palavra da frase: 'mater tua mala burra est' sintetizando que mater tua - a tua mãe- não oferece qualquer dificuldade. O busilis está no 'mala burra est'. É que 'mala' não significa má, trata-se do substantivo neutro malum, que significa maçã ou, genericamente, qualquer fruto de pevides ou caroço. Resta-me esclarecer burra est, sendo que burra é o acusativo neutro do adjectivo burrus-a-um, no plural, que significa vermelho. Resta-nos a palavra est, uma forma do verbo 'edo' na terceira pessoa do singular do presente do indicativo que pode ser edit ou est. Ora este verbo significa comer. Logo, a frase 'mater tua mala burra est' não significa que a tua mãe é uma burra má, mas sim ' a tua mãe come maçãs vermelhas', por isso dizia que era um elogio ao tipo de alimentação, já que o uso almentar da fruto é saudável.
É, na verdade, uma frase cheia de humor, mas o humor faz parte daquilo que somos.
Por muito triste que o mundo seja, o humor está à nossa volta e pode ajudar-nos a ser um pouco mais alegres e, por vezes, a não nos deixarmos levar pelo demasiado sério.

domingo, 13 de março de 2011

Justificação do título 'vitae sal amicitia'

Gostaria de apresentar aos meus caríssimos leitores a justificação da escolha do provérbio latino 'vitae sal amicitia' - a amizade é o sal da vida.
Conheço-o há dezenas de anos mas nunca me tinha preocupado com o seu autor. Agora procurei saber mas não consegui.
Os provérbios, ditados e adágios são o mais perfeito retrato de uma língua. Estudá-los é estudar a própria alma de um povo, quer expressos em prosa quer em verso. Se me é permitido, aconselho vivamente aos alunos de Latim que os estudem, se possível os confrontem com os que nós utilizamos na nossa língua. É que todos nós temos potencial para saber mais, ver mais, entender mais e para ter uma visão mais global da vida. A vida acontece um minuto de cada vez. Importa não desperdiçar tempo com coisas que não podemos mudar e, antes, concentrarmo-nos naquelas que podemos tornar melhores.
Se a nossa vida for selada e temperada pela amizade, sal da terra, não há poder que possa opor-se ao gozo dos momentos felizes.
O acesso às coisas que realmente valem a pena nem sempre é fácil, quer consideremos a aprendizagem, quer a saúde, o sucesso, a própria amizade.
O conjunto destas coisas são, no entanto, o melhor dos rendimentos que qualquer humano pode alcançar.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Apresentação

O escrever através deste meio foi uma ideia da minha filha mais nova. Como escrever me faz bem, aproveitei a ideia e aqui estou a iniciar-me, aos 84 anos, num novo meio de comunicação.
A propósito lembra-me a minha admiração quando, na leitura de uma obra de Plutarco, encontrei uma alusão ao velho Platão que com a vetusta idade de 80 anos, se tinha posto a aprender grego.
Hoje, que ombreio com Catão na idade, isso já mão me espanta. É que a velhice, por vezes, está disposta a meter ombro a tarefas mesmo morosas na sua concretização.
Lembra-me, a propósito, dum pensamento de JoseMaria Escrivá - a fidelidade é a melhor  defesa da pessoa contra a velhice do espírito, a aridez do coração e a anquilose mental. Aqui estou, pois, para ser fiel aos meus desejos de comunicar pela escrita com os meus estimados leitores. O interesse é meu e por isso estou, desde já, muito agradecido.